Gradual
 

 

O Brasil está na capa das revistas internacionais de economia como um bom exemplo para o mundo. Como você se sente em relação a isso?

A revista The Economist que tem data de capa 14 de novembro de 2009 entrou para a história. Pelo menos, para a história sentimental dos brasileiros. Poucas vezes na história, uma publicação deixou tão orgulhosa uma nação inteira. À capa, de rara felicidade, juntou-se um
texto que diz com todas as letras que deixamos de ser apenas promessas para começar a entregar. (Confira o comentário do economista da Gradual, André Perfeito, sobre a matéria.)


E não é apenas a revista inglesa que pensa assim. Outras reportagens em renomadas publicações internacionais - como a Financial Times, por exemplo - destacam o bom momento da economia brasileira, sua rápida recuperação da crise e seu potencial de expansão.

Wharton School of Pennsylvania

Economistas dessa importante instituição de ensino dos Estados Unidos, no documento “Lessons from Brazil: Why Is It Bouncing Back While Other Markets Stumble?”, dizem o seguinte: "Ele foi o primeiro país na América Latina a ir para uma fase
de recuperação, no segundo trimestre deste ano". Mas apesar de apresentar pontos positivos, o artigo relembra que "o Brasil
já testemunhou altos e baixos na sua reputação global".

O principal sinal de mudança, identificam os analistas, está no fato de havermos saído praticamente incólumes da crise global de crédito que atingiu o mundo inteiro com grande impacto há cerca de um ano. As ações políticas, fiscais e monetárias implantadas pelo governo brasileiro permitiram que o País se recuperasse no primeiro semestre deste ano. Os indicadores antecedentes sugerem um rápido retorno às taxas sólidas de crescimento.

Outro marco da mudança foi quando as agências de rating S&P e Fitch melhoraram a classificação do País em abril e maio do ano passado, seguidas pela Moody's em setembro de 2009.

Medidas acertadas

Os economistas da Wharton também elogiam a diversificação de exportação do Brasil. Ainda de acordo com o artigo, "apoiado por uma grande quantidade de reservas acumuladas nos últimos anos, o Banco Central foi capaz de oferecer liquidez em dólares no auge da crise financeira global para empresas que tinham a necessidade de refinanciamento". E falam em outra parte: "Todos os bancos do Brasil podem ser gratos, pois, ao contrário de outros países, não eram tão expostos ao setor imobiliário e aos derivativos de crédito".

As empresas do setor privado também foram elogiados no artigo da Wharton. Atualmente, segundo os economistas, elas estão visando a diversificação e seu crescimento em novos mercados, além do nacional, como as multinacionais Vale, Petrobras, Gerdau, BRF Brasil Foods e a Natura - além de outras, e lutam para conquistar um espaço na briga do mercado internacional. Isso reflete positivamente na economia brasileira, mostrando que há empresas aptas a alcançar grandes resultados fora do Brasil e na economia global.

Outros dados positivos

O professor Marcelo Neri, economista e chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-RJ, falou ao Entrevista Record, que foi ao ar pela Record News na noite da última quarta-feira, 18 de novembro. Ele acrescentou alguns dados interessantes a essa nova visão do país. Os principais pontos da entrevista foram os seguintes:

“Em 1992, a classe média era um terço do total da renda brasileira. Hoje, é mais de 50%.”

“Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros, ou seja, metade da população da Franca, ingressou no conjunto das classes A, B e C. O principal fator dessa ascensão não foram os programas assistenciais, mas a renda do trabalho.”

“Entre 2003 e 2009 foram criados 8 milhões de empregos com carteira assinada.”

“Entre 2000 e 2008 a renda dos 10% mais pobres da população cresceu 72%. Ou seja, o crescimento da renda dos pobres no Brasil é um crescimento de tamanho chinês. Mas a renda dos 10% mais ricos cresceu 11%. Ou seja, todo mundo cresceu.”

Além de tudo isso, o professor Neri insistiu que não se trata de uma bolha, porque “o processo já dura cinco anos: de 2003 a 2008 a renda do brasileiro cresce 7% ao ano. Ou seja, não é bolha porque a renda sobe por causa do trabalho e porque os brasileiros passaram a estudar mais. Trabalhar e estudar são coisas que ficam, não vão embora como uma bolha.”